domingo, 15 de janeiro de 2012

Zila Mamede



Zila da Costa Mamede foi poeta e bibliotecária. Obteve destaque nas duas atividades as quais se dedicou. Como poeta, rompeu o jejum poético potiguar após a efervescência de Jorge Fernandes. Como bibliotecária, participou de cursos nos grandes centros brasileiros e até mesmo fora do Brasil. Não mediu esforços para construir a biblioteca da UFRN que hoje leva seu nome. Nasceu na Paraíba, mas ainda na infância mudou para Currais Novos/RN e na adolescência para Natal/RN, berço da sua realização artística e profissional.

Nascimento: setembro de 1928, em Nova Palmeira/PB

Encantamento: 13 de dezembro de 1985, em Natal/RN

Obras:

POESIA: Rosa de Pedra (1953); Salinas (1958); O Arado (1959); Exercício da Palavra (1975); Navegos (1978); A Herança (1984); Exercícios de poesia: textos esparsos (2009/póstuma).

PESQUISAS BIBLIOGRÁFICAS: Luiz da Câmara cascudo - 50 anos de vida intelectual (1970); Civil Geometria (1987, póstuma) sobre a obra de João Cabral de Melo Neto.

Alguns livros sobre Zila:

ALVES, Alexandre. Silêncio, mar: a poesia de Zila Mamede nos anos 50. Natal: Sebo Vermelho, 2006.
AQUINO, Graça.
A memória como evocação:um estudo crítico da obra O Arado, de Zila Mamede. Natal: A.S. Editores, 2005.
GALVÃO, Cláudio. Zila Mamede em sonhos navegando. Natal: FUNCART /Prefeitura da Cidade de Natal, 2005.

Outros

Curta metragem em homenagem à poeta: "Pegadas de Zila" (2011)
Tese de doutorado (em andamento) "Esta marca de suor numa canção - a poesia de Zila Mamede sob o viés da redução estrutural", de Carlos André Pinheiro (UFRN)
Dissertação de Mestrado "O arado e a modernidade na poesia de Zila Mamede: A construção da lírica telúrica erguida em novos alicerces" (2011), Janaína Silva Alves (UERN)

Links:

http://www.mcc.ufrn.br/portaldamemoria/wordpress/?page_id=597
http://www.memoriaviva.com.br/zila/
http://www.jornaldepoesia.jor.br/zmamede.html
http://www.amulhernaliteratura.ufsc.br/catalogo/zila_vida.html


PARTIDA
Zila Mamede

Quero abraçar, na fuga, o pensamento
da brisa, das areias, dos sargaços;
quero partir levando nos meus braços
a paisagem que bebo no momento.

Quero que os céus me levem; meu intento
é ganhar novas rotas; mas os traços
do virgem mar molhando-me de abraços
serão brancas tristezas, meu tormento.

Legando-te meus mares e rochedos,
serei tranqüila. Rumarei sem medos
de arrancar dessas praias meu carinho.

Amando-as me verás nas puras vagas.
Eu te verei nos ventos de outras plagas:
juntos – o mar em nós será caminho.

Salinas, (1958)

domingo, 25 de dezembro de 2011

Othoniel Menezes


Othoniel Menezes de Melo, o "Príncipie Plebeu"


Nascimento: 10 de março de 1895, em Natal


Encantamento: 19 de abril de 1969, no Rio de Janeiro.

Obras: Gérmen (1918), Jardim Tropical (1923), Sertão de Espinho e de Flor (1952), A Canção da Montanha (1955); Póstumas: Ara de Fogo/Abismos/ Esparsos (1988), A cidade perdida/ Deseno animado (1995), Obra Reunida (2011).

Inicia sua produção adotando os moldes parnasianos, mas também produziu alguns poemas românticos, para só na década de 1950 se vincular ao modernismo. Essa vinculação está mais presente na sua última obra publicada em vida: A Canção da Montanha (1955).

Links

http://www.mcc.ufrn.br/portaldamemoria/wordpress/?page_id=610
http://www.minhahistoria.com.br/othoniel/
http://glosandoomundo.blogspot.com/2007/03/iconografia-de-othoniel-menezes.html

quinta-feira, 4 de março de 2010

Antônio Pinto de Medeiros

Fonte: Enciclopédia Nordeste

Antônio Pinto de Medeiros, filho de pais mossoroenses, mas nasceu em Manaus/AM, vindo ainda criança ao Rio Grande do Norte. Formou-se em Direito, mas não exerceu a profissão, pois tinha vocação para o Magistério, Jornalismo e para a Literatura.

Nascimento: 9 de novembro de1919, Manaus/AM

Encantamento: 1970, Rio de Janeiro/RJ

Obra: Um poeta à toa (1949), Rio do vento
Colaborou nos jornais Diário de Natal e O Poti, aos domingos, onde comentava os acontecimentos da cidade e também escrevia crítica literária.

Links:

Enigma número 2


Virão nas horas completas

Em caravana sinistra

Trazendo capuzes negros

E albornozes de mouros

Pelos caminhos estranhos

Que a fantasia sonhou

Para um conflito de enigmas

Os olhos débeis e úmidos

Serão esferas perdidas

Dentro de um mundo julgado.

Não criarão as paisagens

Da infinita promessa

E tombarão as sementes

Em leitos de pedra e espinhos.

Virão nas horas completas

Entre harmonias soturnas

De blasfemias e de salmos

E o outro canto perdido

Envolto em cinza dos ídolos

Será o incenso sagado

Do rito negro e fatal.

Entre turíbulos vivos

E flores do sacrifício

Buscarão as mãos sacrílegas

A pedra da redenção

E haverá cruzes e máscaras

entre reliquias e fumo

Alimentando o brazeiro.

E os olhos débeis e úmidos

Serão esferas perdidas

Dentro de um mundo julgado.

Não criarão as paisagens

da Infinita promessa

E tombarão as sementes

Em leitos de pedra e espinhos.


Antônio Pinto de Medeiros

domingo, 28 de fevereiro de 2010

João Lins Caldas


O Poti, 26 ago. 1979 (imagem disponível no Portal da Memória Literária Potiguar)

João Lins Caldas foi revisor de textos, frequentador assíduo da Biblioteca Nacional, quando esteve no Rio de Janeiro, e poeta. Nasceu em Goianinha, mas ainda criança migrou para Assú, onde foi bastante conhecido e até hoje ainda é lembrando pelo povo dessa cidade. Em 1912, muda-se para o Rio de Janeiro.

Nascimento: 1º de agosto de 1888,em Goianinha/RN

Encantamento: 19 de maio de 1967, em Assu/RN

Obra: Antologia Poética (1975); Poeira do Céu e outros poemas (2009)

Links:

Bibliografia

CALDAS, Fernando. Caldas, pioneiro do modernismo. Tribuna do Norte, Natal, 13 de mar. 2008.
SANTOS, Cássia de Fátima Matos dos . A ponte entre o arcaico e o moderno: leitura de um poema de João Lins Caldas. XI ENCONTRO REGIONAL DA ABRALIC, 2007, SÃO PAULO. p. 1-9.


sábado, 20 de fevereiro de 2010

Jorge Fernandes



Jorge Fernandes de Oliveira, irmão de Sebastião Fernandes, foi precursor do Modernismo no Rio Grande do Norte e ativo participante das discussões literárias em ambientes como o Café Majestic. Amigo de Cascudo, foi conhecido por Mário de Andrade e elogiado por Manuel Bandeira.

Nascimento: 22 de agosto de 1887, em Natal.

Encantamento: 17 de julho 1953, também em Natal.

Características da obra: verso livre, incorporação da linguagem coloquial, ausência de pontuação, onomatopéias, citação de elementos que remetam ao progresso e a modernidade, valorização de fatos cotidianos, traços regionais.

Obra: Contos e troças - Loucuras (1909), em parceria com Ivo Filho; Livro de Poemas com a primeira edição em 1927 e outras edições em: 1970;1997;2007. Também escreveu peças teatrais: Anti-cristo; Céu aberto; Já teve; O brabo; Ave Maria; O aniversário; De joelhos; Desesperada; Pelas grades;

Participação em periódicos: Terra Roxa e outras terras (São Paulo); VERDE (Cataguases, Minas Gerais); Revista de Antropofagia (São Paulo); A Cigarra (Natal/RN)
Links:

Bibliografia

ARAÚJO, Humberto Hermenegildo de. Modernismo: Anos 20 no Rio Grande do Norte. Natal: EDUFRN, 1995.
________. O lirismo e nos Quintais Pobres. Natal: Fundação José Augusto, 1997.
FERNANDES, Jorge. O viajante no tempo modernista "obra completa?". Maria Lúcia de Amorim gARCIA (org.). natal: RN Econômico, 2009.
PEREIRA, Francisco das Chagas. Leitura de Jorge Fernandes. Natal: Nordeste Gráfica/ Fundação José Augusto, 1985.
Revista Brouhaha - vozes na cultura potiguar. Jorge Fernandes e os 80 anos do Modernismo Potiguar. Natal: Fundação Capitania das Artes, ano III, n. 8, Março/abril 2007, p. 18-33.

Os anos 20 e o Modernismo

Anúncio da Semana de Arte Moderna
Fonte: Portal do professor/MEC


Ainda há muito o que falar sobre o período delimitado entre 1861, com a fundação de O Recreio, primeiro jornal literário escrito em terras potiguares, e aproximadamente, até a metade da segunda década do século XX, época posterior ao lançamento do Livro de Poemas (1927), de Jorge Fernandes e da revista A Cigarra (1928), marcos do início do Modernismo no RN. Mas deixemos para depois alguns detalhes quanto as agremiações, e demais jornais e revistas do período Neo-romântico, para darmos início a descrição dos autores considerados modernistas na Literatura do Rio Grande do Norte.

Daremos início a nossa série de postagens, sobre os autores do Modernismo no Rio Grande do Norte, com Jorge Fernandes, o precursor do movimento nesse Estado.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

O que está porvir

As postagens publicadas até agora apresentaram os principais poetas do período meio turbulento quanto a definição de escolas literárias, que passeiam entre as seguintes: Romantismo, Parnasianismo e Simbolismo. Nas postagens, procuramos expor algumas características biobibliográficas de alguns literatos e, quando possível, tecer alguns comentários acerca de sua obra. Além disso, sugerimos alguns links e livros, para quem quer saber mais sobre cada um desses poetas, e ao mesmo tempo, essa sugestão complementa nossa breve síntese sobre cada literato.

Além do texto, percebam que na maioria das postagens foi possível colocar uma imagem relativa ao poeta descrito, como fotos e imagens de poemas publicados em periódicos. Nossa intenção é disponibilizar um pouco de informação sobre a Literatura do RN, que carece de fontes na internet. Iremos dar continuidade as nossas postagens, mostrando os periódicos literários precedentes, como o modernismo, o poema-processo e a produção contemporânea, além de expor informações sobre as agremiações formadas durante cada um desses momentos da nossa literatura.